terça-feira, 17 de junho de 2008

Erros

"nunca cometo o mesmo erro duas vezes, já cometo duas três quatro cinco seis, até esse erro aprender que só o erro tem vez"

Paulo Leminski

sexta-feira, 6 de junho de 2008

?

sob a mesa uma pasta, uma bolsa, um guarda-chuva preto (e um céu que não queria chover), adoçante, açúcar (esqueceste de pedir o mascavo), sorrisos largos, uma bandeja "suicida", uma fatia gigantesca de torta (que tu juraste que não comeria inteira), um café com leite, um expresso duplo, pequenos goles, grandes planos. E quatro mãos que matavam a saudade. - um dia, casa comigo? - caso.

quarta-feira, 4 de junho de 2008


O sono aumenta, o tempo diminui… A gripe tomando conta, trabalhos e mais trabalhos, livros começados, imensas folhas a serem passadas a limpo… buscas todas as idéias positivas e que façam lembrar que vale a pena… mas os nervos aumentam, atrapalham-te, distraem-te até! Vais cair! Não vais cair! Vais conseguir! ...GAME OVER!


Ver essa foto me fez refletir em como as coisas serão daqui uns anos, dos caminhos que vou percorrer, das minhas escolhas, meus erros e meus acertos. Das pessoas que passarão por mim. Quero ser uma médica, mas não tenho certeza que vou curar as pessoas, imagino que vou ajudá-las a viver melhor, imagino que sei que vou criar um relacionamento com elas e esse relacionamento vai tornar mais fácil o que quer que seja. Usar a inteligência, o respeito e o carinho para que juntos a vida do paciente seja salva. Chega de desdenho, chega de tratar as pessoas como meros números, quero ir além.


terça-feira, 3 de junho de 2008

Proibido

A proposta foi para que fizéssemos grupos de no máximo 5 pessoas, os temas eram: Vagina, pênis, masturbação e relação sexual. A princípio tínhamos que colocar no papel seus sinônimos, mas percebi a acentuada diferença de desempenhos, claro, visto que para algumas pessoas, tais assuntos não estão inclusos no livro de sua cabeceira, ou seja, não há o hábito de falar sobre, ou apenas não se sentem confortável o suficiente para expor suas idéias íntimas. Para elas, a inibição é tamanha que ao ter que se expor, encolhem-se, minguam os olhos desviando-se dos olhares atentos, a fala sai trêmula e baixa, bochechas coradas, mãos geladas, inquietação, etc. Falar do "proibido" dá medo, incomoda, estranho isso... "proibido", falar de algo que é seu, faz parte de você ser proibido, por favor, século XXI já! Primeiro foi o grupo da Vagina e os sinônimos foram os mais esdrúxulos que se possa imaginar, o grupo era composto por homens, e aqueles sinônimos eram permeados por um nítido machismo, mesmo que eles não percebessem. Aflorou uma inquietação no meu peito, indignei-me com aquelas palavras, da forma como foram sujas e de como o órgão sexual feminino havia sido banalizado, "arrombadinha"? Surge a polêmica. Questionei sim aquelas palavras, não que elas estariam erradas, mas fomos moldados a pensar assim, o erro não está nos meninos que reproduziram o órgão sexual feminino como um claro e nítido objeto, mas na sociedade machista em que vivemos, cuja qual sustenta a idéia até hoje de que a mulher é sim um objeto. O erro não está nos cinco garotos que compuseram as palavras, vai muito além disso, mais uma falha na sociedade, e errados somos nós, por permanecermos inertes conforme as coisas acontecem, isso não é apenas na imagem da mulher, que por sua vez é vista como objeto de desejo, de prazer, submissão, mas sim quando se acha que as coisas vão melhorar sem mover uma palha sequer, permanecer estático perante o caos. A fome no Brasil, por exemplo, quando se faz um jantar em casa, não se come até que todos tenham comido. Isso é o que deveria acontecer com o Brasil. Ninguém come ate todos terem comida. Isso é qualidade de vida, nem recebemos educação... A maioria dos homens nem pensa, vai direto ao prato, não esperam! Quero ver todos servidos antes de vê servir, será que dá? Uma Vagina não anda sozinha, ao vulgarizar esse órgão, vulgariza-se também a personalidade do indivíduo. "Somos aquilo que as palavras dizem"?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Ela!

Foto: autor desconhecido.
Voltando para casa hoje, contemplei mais uma vez a natureza. A chuva chegava de mansinho, fim de tarde, havia vento. O encanto do inverno e toda sua nostalgia traziam um ar de reflexão, enquanto isso o meio ambiente pedia socorro, era o homem construindo e destruindo sua casa, sem saber que ali, não mora sozinho. Podemos sentir a força da vida, da natureza. Já não me lembrava que tinha saudade daquilo: pequenas coisas que a cidade nos rouba (isso, rouba) pela violência de no dia a dia fazer esquecer outra natureza à nossa volta. As pessoas modernas vivem com o barulho da cidade grande e suja. Se fechar os olhos ainda sinto e ouço. Diferentes cores e formas acariciam nossos sentidos, nossos sentimentos suavizam-se. Há flores grandes e pequenas. As flores pequenas que crescem ao longo do caminho vivem com todo o seu poder, quer alguém as veja ou não. Primeiro veio de mansinho. Depois, o odor chegou intenso: aquela lufada que impregna o ambiente: o cheiro do chão molhado pela água do céu, enquanto se houve a bátega das gotas nas palhas secas.

Queria que logo acontecesse outra vez.

Ópera do Malladro

O curta conta a história de um garoto (Michel Joelsas, de "O Ano Em Que Meu Pais Saíram de Férias") que, em sua última prova de recuperação na escola, tem a tarefa de escrever um texto em 15 minutos. Durante o processo criativo, o menino embarca por um universo musical cheio de personagens e mitos dos anos 80 revividos em quatro números musicais embalados por releituras de sucessos do Sérgio Mallandro.

Ópera do Mallandro

domingo, 1 de junho de 2008

Xenofobia

A velha, o livro, cinco meninos, mais um.

Lá estava eu, sentada no banco da praça monopolizado por mim nas manhãs de domingo. Os cabelos brancos entregavam a idade.Geralmente as ações costumavam se repetir. Sentar, pegar o livro da velha bolsa, deslizar minhas mãos por ele podendo quase pegar as palavras da capa com minhas próprias mãos, fareja-lo deliberadamente, e acredite ou não, todos os dias desvendo um odor novo. Era uma manhã gelada, fria, os casacos me deixavam mais pesada. O outono se despedia e o inverno batia à porta. A cena de bela tornou-se cruel, postavam-se ali cinco rapazes contra um. Os cinco agiam indiferente aos olhares das gentes, entorpecidos, molestados pela fúria, tomados pela raiva, agrediam simultaneamente o menino de rua, pobre, fedido, solitário. Num ato de desespero, fechei o livro com força, fiquei estática diante aquela ação de pura crueldade. Mais que a violência, a doença da cidade me comove, porque a doença não é coisa distante, não respeita vidros fechados nem casas trancadas, a doença finca-se como um inimigo íntimo. Quando a cidade expõe suas feridas íntimas, é a doença da loucura que mais me afeta, os que falam sozinhos, os que choram alto, os que dançam no asfalto, os que não lembram o próprio nome, os violados, os possuídos, os que furam os olhos dos gatos, os obscenos, os que cospem na cara, os esquecidos, os invisíveis, os outros. No caso, o que nutria os cinco doentes, era o medo excessivo e descontrolado ao desconhecido ou diferente. Dispersos pela cidade, aqueles cinco são parte do tumor infame que consome nossa sociedade, os vermes, os ratos dos esgotos.